Rasteiras · Rock · Singles

Punk

Clássico é o que permanece, certo?

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Na versão expandida da fabulosa e influente coletânea Nuggets – Original Artyfacts from the First Psychedelic Era, 1965–1968 (Elektra, 1972), disco três, faixa 18, figura esta gloriosa expressão do punk antes do punk: “You must be a witch”, do Lollipop Shoppe (banda de Las Vegas, EUA, formada em 1966), registrada no álbum Just Colour (Uni Records, 1968). Basta ouvir a progressão de acordes da guitarra saturada guiada pela linha angulosa do baixo para se deparar, sob um inferno de feedback, com uma gravação que poderia ter sido feita na semana passada, em algum estúdio de Boston. É, por falta de adjetivo melhor, impressionante.

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Resultado de imagem para fred coleO texto acima é um rascunho que escrevi há alguns meses e que seria usado em post maior, que decidi abandonar de vez. Não ia usá-lo até descobrir, hoje, por acaso, que Fred Cole, o líder do Lollipop Shoppe, morreu em novembro do ano passado, aos 69, por conta da falência de seu fígado. Fica, então, como um lembrete póstumo.

Cole é o punk primordial, o elo perdido entre os anos 1960 e os 1980. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, (iniciada em 1964, com os Lords e o single, “Ain’t got no self respect”), montou, além do Shoppe, várias bandas (WeedsZipperRatsDead Moon, entre outras) e, ao lado de sua esposa Toody, criou os selos Whizeagle e Tombstone Records.

 

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Indo e vindo

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Ok, este é um post confessional. Não que alguém ligue para isso, claro, mas o fato é que este blog vive da energia que me demandam as atividades produtivas: toda vez que me pressionam para trabalhar mais, sinto comichões para voltar a escrever por estas paragens. [Entro em sala de aula daqui a pouco…]

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Rendi-me à música no celular. É ruim e eu meio que não gosto de fones de ouvido, mas é inevitável. Meus vinis e CDs estão na sala de casa e continuam, escravos que são, à minha inteira disposição. Tenho uns 2.500 álbuns em MP3, consumindo inutilmente espaço no meu HD. Mas é mais prático assinar o Spotify e pronto. Nada de lágrimas.

O que tenho ouvido? Os dez últimos discos que rolaram no telefone:

  1. Electric trim (2017), do Lee Ranaldo
  2. All nerve (2018), das Breeders
  3. Yeti (1970), do Amon Düül II
  4. Do Hollywood (2016), do Lemon Twigs
  5. Everything that happens will happen today (2008), do David Byrne e do Brian Eno
  6. Singles and Sessions 1979-1981 (2006), do Delta 5 
  7. La conferencia secreta del Toto’s bar (1968), dos Shakers
  8. The end of the f***ing world (2017), do Graham Coxon
  9. Classic Quadrophenia (2017), de Pete Townshend
  10. From the fires (2017), do Greta Van Fleet
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Em números

De fato, eu nem precisava dizer, mas, vá lá: evidentemente, sucesso comercial não tem a ver com valor estético. Ao menos, não diretamente. Contudo, só por mera curiosidade, segue, abaixo, a lista dos discos mais vendidos nos EUA, desde 1952 (ano de fundação da Recording Industry of America Association – RIAA):

1. Thriller, Michael Jackson (Epic, 1982) – 30 milhões
2. Eagles: Their Greatest Hits, 1971–1975, Eagles (Asylum, 1976) – 29 milhões
3. Greatest Hits, Volumes I & II, Billy Joel (Columbia, 1985) – 23 milhões
4. The Wall, Pink Floyd (Columbia, 1979) – 23 milhões
5. Led Zeppelin IV, Led Zeppelin (Atlantic, 1971) – 23 milhões
6. Back in Black, AC/DC (Epic, 1980) – 22 milhões
7. Double Live, Garth Brooks (Capitol Nashville, 1998) – 21 milhões
8. Come On Over, Shania Twain (Mercury Nashville, 1997) – 20 milhões
9. The Beatles, The Beatles (Capitol, 1968) – 19 milhões
10. Rumours, Fleetwood Mac (Warner Bros., 1977) – 18 milhões

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Esse é só o top ten. Nas posições “inferiores” (todos com mais de 10 milhões de discos vendidos), ainda aparecem Guns (Appetite for destruction), Elton John (Greatest hits), mais Beatles (Sgt. Pepper’s lonely hearts club band, 1967-1970, 1962-1966), mais Zep (Physical graffiti, II, I), Metallica (álbum preto), mais Floyd (The dark side of the moon), Springsteen (Born in the USA), Boston, Journey, Santana, Steve Miller Band, Def Leppard e quetais. Note que, dos dez mais, seis são criações de artistas relacionados ao rock (Eagles, Led Zeppelin, Pink Floyd, AC/DC, Beatles e Fleetwood Mac), e que todos esses discos foram lançados entre 1968 e 1980.

Abaixo, a lista de artistas que mais venderam discos nos EUA:

1. Beatles – 178 milhões
2. Garth Brooks – 138 milhões
3. Elvis Presley – 136 milhões
4. Led Zeppelin – 111.5 milhões
5. Eagles – 101 milhões
6. Billy Joel – 82.5 milhões
7. Michael Jackson – 79 milhões
8. Elton John – 77 milhões
9. Pink Floyd – 75 milhões
10. AC/DC – 72 milhões

Em uma versão mais estendida, ainda seriam incluídos nomes como Rolling Stones, Aerosmith, Bruce Springsteen, Metallica, U2, Van Halen, Fleetwood Mac, Journey, Guns’n’Roses, Santana e Eric Clapton – todos com mais de 40 milhões de álbuns vendidos em solo norte-americano. Entre os dez mais, sete artistas são relacionados ao rock (Beatles, Elvis, Led Zeppelin, Eagles, Elton John, Pink Floyd e AC/DC), sendo que o mais novo da turma, o AC/DC, foi formado em 1973.

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John e Yoko, Paul e Linda

Hoje, vai a leilão uma carta escrita por John Lennon (e Yoko Ono), destinada a Linda McCartney (e Paul), que remonta a, provavelmente, 1971 e aborda aspectos espinhosos da separação do Fab Four. [Sobre a transação, os detalhes estão aqui.]

A missiva foi uma resposta à enviada por Linda, que continha críticas à declarações que Lennon havia feito à imprensa. Não dá para saber exatamente quais as críticas e quais as declarações, mas, lendo o documento com um olho na história do fim do sonho, é possível inferir bastante coisa. Usualmente, esse tipo de voyeurismo não costuma me interessar muito, mas, como ando meio romântico por esses dias, dois pontos me chamaram a atenção. Primeiro, embora a questão empresarial tenha sido determinante para a separação do grupo, especialmente após 1969, John tem noção da obra que os Beatles legaram à cultura pop (as tournées de Paul, desde a era Wings, confirmam, por outro lado, que McCartney não tem lá muita perspectiva estético-social do que foi o trabalho dos rapazes de Liverpool) e, mais, não cospe no prato em que comeu: continua orgulhoso de ser um beatle. Segundo, o bonito post scriptum, redigido em letras cursivas, que diz “about addressing your letter just to me – STILL…!!!” Eis aí a concretização do sonho mutante: John e Yoko eram uma pessoa só.

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Em tempo 1: o show do Kraftwerk em Buenos Aires vai acontecer, ao que tudo indica. Uma decisão da Justiça garante o acontecimento, marcado para o dia 23, no Luna Park.

Em tempo 2: eu não costumo registrar a morte de estrelas do universo rock porque, normalmente, todos os sites sérios o fazem. Mas, em função dessa questão sobre a música eletrônica, fica aqui a nota fúnebre sobre Jean-Jacques Perrey, inventor/compositor francês, pioneiro dos sintetizadores e samplers, morto aos 87, de câncer de pulmão, no início deste mês. Dois discos para ouvir por esses dias: The in sound from The Way Out, de 1966, e Kaleidoscopic vibrations: electronic pop music from Way Out, de 1967. E já que estou falando de gente morta, no início desta semana, foi-se o jazz sage Mose Allison, pianista norte-americano altamente influente na cena inglesa dos anos 1960.