Rock

Ensaio aberto

Alguns dirão que é o sangue latino, mas eu não.

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Brasil, 2018. Menciona “Lula” e não vomita um palavrão cabeludo qualquer? Comunista filho da puta. Faz um comentário positivo sobre o sistema de cotas? Eu não sou racista (ou elitista), mas você é um comunista filho da puta. Fala “a” Pablo Vittar? Viado (e comunista filho da puta).

Aqui, é sempre tudo ou nada. Raso assim.

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Tudo ou nada. Por estas bandas, o CD conseguiu riscar o vinil e o cassete do mapa, nos idos dos 1990. Anos depois, farsescamente, o download e o streaming eliminaram o CD; de quebra, acabaram com a indústria fonográfica, na segunda metade dos 2000. Foi impressionante. Por baixo – em que pese a falta de números confiáveis -, estamos falando de uma indústria que foi capaz de vender 100 milhões de álbuns por ano no seu auge, no final dos 1990.

Uma peculiaridade nacional: essa coisa de um formato exterminar o outro não aconteceu em outros mercados relevantes. Por quê? Isso exige uma reflexão mais séria. Sem querer responder categoricamente a questão, intuo que, conquanto realmente existissem aqui tanto uma indústria quanto um mercado fonográficos, talvez eles fossem apenas formalmente similares aos construídos em outras paragens. Até os anos 1980, como comenta André Barcinski, “A verdade é que as gravadoras brasileiras ainda eram, no fundo empresas quase amadorísticas, onde um ou dois chefes decidiam tudo. Não que os executivos fossem diletantes ou mecenas, mas as estruturas das gravadoras eram enxutas, e muitas decisões artísticas eram tomadas por instinto e gosto pessoal. Não havia testes de preferência do público ou pesquisas de mercado.” (BARCINSKI, André. Pavões misteriosos- 1974-1983: a explosão da música pop no Brasil. São Paulo: Três Estrelas, 2014, p. 39).

Minha hipótese é que, com o fim do disco, o mercado perdeu sua referência hierárquica, e, com isso, deixou de tender à homogeneidade. Assim, deixou de ser uma totalidade para se fragmentar em uma miríade de nichos. Por isso, hoje, é possível existir uma cena independente viável para um sem número de novas bandas, mas, ao mesmo tempo, nenhuma delas consegue se estabelecer como “cabeça” e movimentos

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Enfim, enquanto Freud explica, o diabo dá uns toques:

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