Rock

Ninguém entende um mod!

The punk and the godfather, 12/03/1982.

Considere que o hooligan primordial seja o sujeito nascido na Inglaterra, no pós-guerra. O que o caracterizaria? A atitude: beligerância travestida de estilo.

Um exemplo típico: o auto-denominado “movimento modernista” dos adolescentes londrinos, surgido em meados de 1962. Mod? “Clean living under difficult circumstances”, teorizava Peter Meaden (talvez, o modfather original), inventor dos High Numbers. Basicamente, uma legião de moleques e garotas, a primeira geração de filhos da classe trabalhadora nascida após o cessar das bombardeios, experimentando a liberdade conseguida com os xelins conquistados nos primeiros sub-empregos, expressava sua individualidade no interior do sisudo sistema de classes britânico: consumia, como se não houvesse amanhã. Um mod era, assim, facilmente reconhecível: paletós bem cortados (side-vents, 5″ long), cabelos impecavelmente cortados/produzidos, sapatos italianos bi-colores (ou botinas Dr. Martens), lambretas personalizadas. E purple hearts, energia suficiente para um estilo de vida rueiro e baladeiro [Aqui, um capítulo à parte: as drogas sintéticas. Fumar um era malvisto pelos mods. Pete Townshend, conhecido pot-head, não era particularmente admirado por essa atitude. Modernistas queriam as conquistas da sociedade industrial, não um idílico fugere urbem!]. As baladas mod eram organizadas em abrigos antiaéreos abandonados ou em salões de hoteis decadentes, regados à transgressora música vinda do outro lado do Atlântico: soul, R&B, ska. Enfim, a “revolta” era canalizada pelo hedonismo niilista, específico da cena londrina, e chegou a preocupar o governo da ilha por conta de arruaças episódicas (particularmente, os violentos conflitos entre modsrockers despertaram a atenção no mundo da política, nos bancos paroquiais e foram estudados na sociologia).

O tal modernismo durou, para valer, até 1966, não mais que isso. Quando Bobby Charlton ergueu a taça, o clube UFO já era mais hype que o Railway Hotel ou o Marquee.

*

Ah, sim, a efeméride: feliz 60, Paul.

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O anacronismo em ação.

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