Rock

Fragmentos da primavera passada

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Felicidades, sr. Townshend. Que esta nova primavera lhe seja muito florida.

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Os trechos que compõem este post foram escritos há 8 meses. Jamais consegui terminar o texto e, hoje, vencido pela realidade, decidi publicá-lo assim mesmo: o rascunho pendente me esfregava na cara o fracasso insuperável da carreira de cronista.

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Durante muito tempo, torci para que isso nunca acontecesse. Não queria que o Who viesse para o Brasil, porque não queria me frustrar. O Who que eu conheci e cuja obra mudou minha vida não existe há muito tempo – se é que, efetivamente, chegou a existir, de fato.

Mas era inevitável.

Após várias bolas na trave – por exemplo, há pouco mais de dez anos, uns cartazes que davam conta de apresentações de Quadrophenia (a tour de então) chegaram a circular -, a confirmação veio em uma entrevista de Bill Curbishley, o empresário da banda, no início de 2017: o Who viria mesmo à América do Sul. Li a declaração no Guardian; “fodeu”, pensei na hora.

Afinal, ainda há um restolho de jornalismo no Reino Unido.

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Regras postas: para comprar o ingresso, seria necessário entrar em uma fila on line. Imaginei que seria uma operação complicada e, no dia em que as vendas começaram, entrei no site com alguma antecedência; mesmo assim, minha posição era dez mil e qualquer coisa. Só me faltava ficar sem entradas para o concerto…

Pelo whatsapp, fico sabendo que Rodrigo Telles, amigo há mais de 30 anos e ex-parceiro de banda, está melhor posicionado. Combinamos, então, que ele compraria as entradas – as melhores (e, portanto, mais caras) possíveis. Iremos, eu e Lucas, meu filho. Entre vinis, CDs, VHSs, DVDs e livros, devo ter empenhado vários milhares de reais na obra do Who. Agora, somo mais um e pouco ao montante.

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Allianz Parque, 21 de outubro de 2017

Entramos no gramado do Allianz Parque, onde há algumas semanas assistimos, eu e Lucas, o Palmeiras enfiar categóricos 4 gols em um combalido São Paulo, pelo returno do campeonato brasileiro de 2017.

A objetividade já era.

Ver os roadies ajustando os últimos detalhes no palco fazia a ansiedade crescer e, aos poucos eu era tomado pelo clima que ia se formando. “Calma!”, ordenei-me silenciosamente algumas vezes, embora pressentisse que a objetividade estava em vias de dar as mãos com a vergonha para juntas trilharem o caminho dourado que leva às favas. Naqueles minutos, certamente conversei com Telles, Paulinho e Lucas, mas não tenho a mais vaga lembrança dos assuntos ou de qualquer coisa que tenha articulado porque, mentalmente, não era lá que eu estava. Eu repassei a ordem das faixas de cada disco do Who, de My generation (1965) a Endless wire (2006).

A dúvida da noite: o que há em mim que ainda é o sujeito que foi formado a partir dos power chords de Pete Townshend?

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A única coisa que me lembro de pensar durante o show: se é assim agora, imagine como foi entre 1965 e 1975.

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Rouco, ensopado de suor, falando sem parar e com os acordes frescos na memória, saio do gramado do Allianz Parque com a certeza de ter presenciado algo espetacular.

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“Ficha técnica”, anotada in loco:

Banda: Townshend, Daltrey, Zak Starkey, Simon, Jon Button (baixo), Loren Gold (teclados), John Corey (teclados) e Frank Simes (direção musical, teclados e instrumentos diversos).

Set list:

01 – I Can’t Explain
02 – The Seeker
03 – Who Are You
04 – The Kids Are Alright
05 – I Can See for Miles
06 – My Generation/Cry if you want
07 – Bargain
08 – Behind Blue Eyes
09 – Join Together
10 – You Better You Bet
11 – I’m One
12 – The Rock
13 – Love, Reign O’er Me
14 – Eminence Front
15 – Amazing Journey
16 – Sparks
17 – Pinball Wizard
18 – See Me Feel Me/Listening to You
19 – Baba O’Riley
20 – Won’t Get Fooled Again

Bis
21 – 5:15
22 – Substitute

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