Rock

3 pontos

Há uns quatro anos, escrevi sobre Wigs out at jagbags, ótimo álbum de Stephen Malkmus & the Jicks (ah, a boa: a banda está com um disco novo na praça; resenharei-o). Há várias canções legais no disco, mas eu particularmente curto “Chartjunk”. Adoro o encadeamento descendente de acordes manjadão (à la “Dear prudence”, por exemplo), acentuado pelo sensacional arranjo de metais (criado a partir de um banco de áudio digital).

Nunca tinha prestado muita atenção na letra da canção, embora o uso de certas palavras – a começar pelo título – e expressões (como “D-league Wichita”) sempre me intrigara. Foi só há uns dias, quando, de bobeira, encontrei o vídeo acima, é que fui pesquisar a parada e descobri que ela é sobre – que diabos! – os bastidores do basquete profissional norte-americano. Com a palavra, o autor:

This tune is inspired by the NBA and a specific player, Brandon Jennings. He’s a prima donna point guard. He went to Italy young, he didn’t go to college, he just went straight to European league and then he came back and he’s a real hot dog gunner. He had a relationship with a specific coach, his name is Scott Skiles, he’s a very bossy, my-way-or-the-highway-type coach. They butted horns. Skiles was also an ex-NBA player, and he was saying, ‘I’ve been there, I know what you’ve been doing, and I can tell you,’ and Jennings was like, ‘You’re not my mother, I’ve got a contract and I don’t need you to tell me what to do. I’m my own man.’ This all happens over a Chicago Transit Authority, ham and eggs, rock ’n’ roll song, complete with Chicago-style horns and sort of “You Ain’t Seen Nothing Yet”-song, which might be a Canadian band, Bachman-Turner Overdrive-style singing…You can make this metaphorical about anything. There must be some Freudian angle or early Greek — Odyssey, Icharus, something going on there. But on the second verse it gets specifically into things like dropping dimes and dipsy doos and the D-League in Wichita, which is a minor league basketball league, so that’s pretty specific. I can’t really get away with that.

As letras de rock, horríveis como sói, foram, entre os anos 1960-1990, uma grande escola para adolescentes desajustados. Para os inevitáveis “eu te amo” de 90% das canções populares, havia os “milhares de buracos em Blackburn, Lancashire”, os “26 dólares nas minhas mãos”, “Paris, 1919”, os “dias de 1939” na Andaluzia e a fossa das Marianas, no Pacífico. E, mesmo por aqui, como esquecer o Baader-Meinhof ou Grândola, a vila Morena?

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