Em busca do rock paulista · Rock

Em busca do rock paulista

Smack, circa 1984: (da esquerda para a direita) Pamplona, Pappon, Coutinho e Scandurra

Há um tema que sempre volta à minha cabeça: o rock paulista do início dos anos 1980. Mais que uma questão de gosto, intriga-me a especificidade da cena que surgiu na cidade de São Paulo entre 1982 e 1987. O rock, àquela época, começava a se tornar uma expressão estética algo relevante na pasmaceira que dominava a música popular brasileira, sobretudo no Rio de Janeiro. Daí uma primeira indagação: por que, naquele momento, guitarras e baterias ganharam espaço na música jovem no Brasil? Ou, simplesmente: por que o rock tupiniquim floresceu nos anos 1980?

Essa é uma pergunta complexíssima, que justificaria uma tese acadêmica em sociologia da cultura. Que dirá, então, a questão que desde sempre me assombrou: por que o rock paulista é tão diferente daquele que ganhou as paradas de sucesso a partir do verão de 1982? Alex Antunes, testemunha ocular dos fatos, pondera que “(…) São Paulo, cidade com um psiquismo imigrante mais severo, permaneceu bem mais careta e menos permeável ao desbunde ao longo dos anos 60 e 70. Evidentemente tivemos Mutantes, Secos & Molhados, temporadas dos velhos e Novos Baianos morando aqui. Mas digamos que o desbunde local mais generalizado se deu nos anos 80, com a queda da ditadura. Já não sob o signo exuberante dos hippies, como no Rio (ou Salvador, ou outras cidades que tiveram uma contracultura forte nos anos 1970, como até Recife teve). Mas sob o modo mais espartano (minimalista, classista, antissexista) de punks e pós-punks. Uma banda como o Barão Vermelho, que dava uma colorida new wave na tradição stoniana, provavelmente teria menos chance naquele underground” (trecho retirado da eulogia que o jornalista escreveu para Pamps, em novembro de 2015). É um ponto de vista que abre uma série de possibilidades. E essa série é o que pretendo investigar, calmamente e sem prazo, e desenvolver em posts ao longo dos próximos meses.

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Mercenárias, circa 1983: (da esquerda para a direita) Coutinho, Scandurra, Munhoz e Machado

A exemplo de tantas outras, a cena de São Paulo girou em torno de uma turma. Abaixo, segue uma pequena lista de pessoas e bandas que rascunhei agora, sem pensar muito. Ela é só uma amostra das imbricações internas da cena, que podem apontar as determinações mais importantes para uma pesquisa como essa. A lista segue em ordem alfabética de pré-nome:

  • Akira S era baixista do Akira S e as Garotas que Erraram e dos Voluntários da Pátria.
  • Alex Antunes era vocalista do nº 2, do Akira S e as Garotas que Erraram e escrevia para a Bizz.
  • André Jung era baterista do Sossega Leão e dos Titãs do Iê Iê. No dia de ano em 1985, entrou para o Ira!.
  • Anna Ruth era baixista do Cabine C e do Akira S e as Garotas que Erraram.
  • Charles Gavin era baterista da Santa Gang, do RPM e do Ira (sem exclamação). Entrou para os Titãs no natal de 1984.
  • Ciro Pessoa era vocalista dos Titãs do Iê Iê e do Cabine C.
  • Edgard Scandurra era guitarrista do Ira (sem exclamação), do Cabine C, do Ultraje a Rigor, do Smack e baterista das Mercenárias.
  • Edson X era baterista dos Voluntários da Pátria, do Akira S e as Garotas que Erraram e do Gueto.
  • Fábio Golfetti era guitarrista do Violeta de Outono e do Zero.
  • Gaspa era baixista dos Voluntários da Pátria e do Ira!.
  • Guilherme Isnard era vocalista dos Voluntários da Pátria e do Zero.
  • Miguel Barella era guitarrista dos Voluntários da Pátria, do Agentss e do Akira S e as Garotas que Erraram.
  • Minho K era guitarrista do Verminose, dos Voluntários da Pátria, do nº 2 e escrevia na Bizz.
  • Nasi era vocalista do Ira (sem exclamação) e dos Voluntários da Pátria.
  • Pamps tocava com a Isca de Polícia e liderava o Smack.
  • Sandra Coutinho era tecladista da Gang 90 e as Absurdettes, baixista do Smack, do Cabine C e das Mercenárias.
  • Skowa era baixista do Sossega Leão, do Premê, da Isca de Polícia e da Gang 90 e as Absurdettes. Anos depois, formou o Skowa e a Máfia e gravou o hit “Atropelamento e fuga”, do Akira S e as Garotas que Erraram.
  • Thomas Pappon era baterista do Smack, dos Voluntários da Pátria, baixista do Fellini e escrevia para a revista Bizz.
  • Victor Leite era baterista do Ira (sem exclamação), do Ultraje a Rigor e do Muzak.
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Voluntários da Pátria, circa 1982: (da esquerda para a direita) Barella, Pappon, Isnard, Rodrigues e Pucci

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Trabalho e sarna para toda uma existência…

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