Na canhota · Rock

[Na canhota] Gospel

A receita é simples: pingue algumas – muitas – gotas de soul music, cool jazz R&B em um galão de garage rock, adicione ideias libertárias, um visual sixties provocante e mexa com energia excessiva. O resultado é o mAKE-UP.

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Da esquerda para a direita: Canty, Mae, Svenonius e Gamboa

Combo norte-americano formado em 1995, em Washington, contava com os vocais e o carisma de Ian Svenonius, as guitarras de James Canty, o baixo de Michelle Mae e a bateria de Steve Gamboa. Segundo Svenonius, a ideia central era produzir música que estivesse em contraposição ao pop de mercado: definiam-se como uma “banda marxista”. “Acho que o que fazemos no palco é mais violento ao status quo do que entregar panfletos em uma esquina”, sustentava o vocalista, em uma entrevista dada a Jennifer Nine, em maio de 1996. Para o site fusionanomaly.net, na mesma época, afirmara que o desprezo à ideia “capitalista” de indivíduo era um dos principais temas das letras do mAKE-UP: “a exaltação do indivíduo na sociedade capitalista – que é pró-consumidor – define alguém por aquilo que se tem, define alguém contra a comunidade. É por isso que nós sempre estivemos opostos à tradição do rock’n’roll e é a razão pela qual sempre estivemos fascinados pela música gospel”. No press release dos primeiros álbuns – dois discos ao vivo (Destination: Love – Live! At Cold Rice, de 1996, gravado ao vivo em estúdio, e, em 1997, After Dark), gravados em condições precárias e “não profissionais” justamente para afrontar a tradição da indústria fonográfica de fazer com que os artistas construam discografias ordenadas e bem-acabadas – afirmavam que seu gênero musical era o “Gospel Yeh-Yeh”, música que dependia do envolvimento “enérgico” do público nos shows.

O gospel também significava uma estratégia visual definida. Não se tratava de um “figurino” propriamente, porque usavam no palco as mesmas roupas e adereços escolhidos para o dia-a-dia, mas argumentavam que sua aparência era uma declaração política importante. Havia um aspecto sexual, mas, como explicava a baixista Michelle Mae, toda música excitante tinha um componente sensual; no caso do mAKE-UP, tratava-se de explorar um universo que não era vendido em lojas de departamento. Além disso, segundo Svenonius, os rapazes da banda usavam roupas justas para contrastar com as definições de moda daquele período, em que as mulheres se exibiam em vestes coladas ao corpo e os homens vestiam calças baggies, mais confortáveis, denotando, implicitamente, uma expressão de poder.

Ainda em 1997, lançaram um compacto com a canção “Free Arthur Lee” – o líder do Love havia sido preso em Los Angeles em 1996, após ter disparado uma arma de fogo várias vezes para o céu durante uma briga com um vizinho e, em função de uma curiosa construção jurisprudencial californiana, conhecida como “3 strikes“, acabara sendo condenado a 12 anos de cadeia (os outros dois strikes: em 1986, prisão por posse de narcóticos; e, em 1995, invasão do apartamento de uma antiga namorada, com a intenção de incendiá-lo).

Em 2000, após o lançamento do quinto disco, o mAKE-UP optou pela dissolução. O motivo? Alegavam que, àquela altura, havia muitos grupos que copiavam abertamente seu som e estilo visual, mas que não tinham qualquer preocupação com o caráter revolucionário de suas apresentações e letras. “Nós tínhamos um plano quinquenal, como o Stalin”, desdenhou Svenonius, na ocasião. “Agora as pessoas nos copiam, mas tudo bem: pelo menos não precisamos mais continuar fazendo o mesmo – eles o fazem por nós”, completou.

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