Rock

Carpe diem

Resultado de imagem para michael zagaris total excessMichael Zagaris é um fotógrafo de São Francisco, EUA, que registrou, ao longo dos anos 1970, momentos de artistas como Led Zeppelin, Clash, Blondie, Who, Peter Frampton, Sex Pistols, David Bowie, Bob Dylan e Lou Reed, entre muitos outros. Em seu recém-lançado livro, Total Excess (Londres/Inglaterra: Reel Art Press, 2016), além de expor fotos antológicas, Zagaris narra episódios “suculentos” da vida na estrada.

*

Foi em uma tournée no oeste norte-americano, durante o verão (do hemisfério norte) de 1973, que Zagaris aprendeu uma lição importante sobre o funcionamento da máquina rock’n’roll. Convidado por uma grande banda para ser o fotógrafo oficial daqueles shows, encontrou-se, repentinamente, envolvido na rotina de aeroportos, hoteis e coxias. Como era praxe, tudo foi combinado no “fio do bigode”: bastou aparecer no dia e local acertados e pronto.

À época, o fotógrafo estava se divorciando e, por conta da situação, viu-se com meros U$40,00 em sua conta corrente (algo como U$220,00, em valores atuais). Por isso, já nos primeiros dias de estrada, Zagaris estava na ridícula situação de ter de percorrer os corredores dos hoteis em busca de sobras nos carrinhos, para ter o que comer. Após alguns dias, foi surpreendido por um roadie:

– Cara, que isso!? Roubando comida por aí???

– Pois é. Não conte para ninguém, mas eu estou quebrado. Não tenho mais nenhum tostão no banco e os caras ficaram de me pagar somente no final da tournée, quando virem as fotos.

– Caceta, por que você não procura o road manager e pede o per diem?

– Per diem?

– Sim, é uma grana diária, que serve, justamente, para esse tipo de situação
– comer, beber -, essas coisas.

Zagaris foi em busca do road manager e, após algum esforço, encontrou o cidadão, que, por sinal, estava doidaço e esbravejando as piores ofensas possíveis ao telefone. Com mais fome que medo, o fotógrafo esperou pacientemente o fim da ligação para interpelá-lo:

– Sabe o que é, senhor? Eu estou sem um puto no bolso e nem me lembro da última vez que fiz uma refeição quente decente. Não posso esperar o pagamento do meu trabalho – preciso urgentemente do per diem

manager o encarou com os olhos esbugalhados e, babando, retrucou:

– Per diem? Caramba, per diem? Você está falando sério? Cara, vou lhe ensinar uma coisa: aqui, a gente dorme até tarde e, quando levanta, come no buffet que é montado no backstage!

Eis que, aí, o sujeito abre um pequeno armário e dele saca uma pequena garrafa âmbar, com uns três gramas de algo, e a entrega para Zagaris. “Se você está faminto, use isto!”, recomendou o manager. Mais tarde, durante o show daquela noite, Michael estava atrás da parede de amplificadores trocando o filme de sua máquina quando o roadie que havia lhe aconselhado o encontra:

– E então, o road manager resolveu seu problema?

Sorrindo, o fotógrafo mostrou a garrafinha e assentiu. Do alto de sua experiência, o roadie então comentou:

– Catzo! Meu bom homem, reflita comigo um troço: se você fosse rico, um baita milionário, com todo o dinheiro do mundo, em quê você gastaria?

Michael titubeou. O roadie prosseguiu:

– Eu lhe respondo: gastaria com mulheres, drogas e viagens. Pois é, aqui, você tem tudo isso de graça… Você não precisa de per diem porra nenhuma! ISSO AQUI É ROCK’N’ROLL, CARAJO!!!

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