Rasteiras · Rock

John e Yoko, Paul e Linda

Hoje, vai a leilão uma carta escrita por John Lennon (e Yoko Ono), destinada a Linda McCartney (e Paul), que remonta a, provavelmente, 1971 e aborda aspectos espinhosos da separação do Fab Four. [Sobre a transação, os detalhes estão aqui.]

A missiva foi uma resposta à enviada por Linda, que continha críticas à declarações que Lennon havia feito à imprensa. Não dá para saber exatamente quais as críticas e quais as declarações, mas, lendo o documento com um olho na história do fim do sonho, é possível inferir bastante coisa. Usualmente, esse tipo de voyeurismo não costuma me interessar muito, mas, como ando meio romântico por esses dias, dois pontos me chamaram a atenção. Primeiro, embora a questão empresarial tenha sido determinante para a separação do grupo, especialmente após 1969, John tem noção da obra que os Beatles legaram à cultura pop (as tournées de Paul, desde a era Wings, confirmam, por outro lado, que McCartney não tem lá muita perspectiva estético-social do que foi o trabalho dos rapazes de Liverpool) e, mais, não cospe no prato em que comeu: continua orgulhoso de ser um beatle. Segundo, o bonito post scriptum, redigido em letras cursivas, que diz “about addressing your letter just to me – STILL…!!!” Eis aí a concretização do sonho mutante: John e Yoko eram uma pessoa só.

*

Em tempo 1: o show do Kraftwerk em Buenos Aires vai acontecer, ao que tudo indica. Uma decisão da Justiça garante o acontecimento, marcado para o dia 23, no Luna Park.

Em tempo 2: eu não costumo registrar a morte de estrelas do universo rock porque, normalmente, todos os sites sérios o fazem. Mas, em função dessa questão sobre a música eletrônica, fica aqui a nota fúnebre sobre Jean-Jacques Perrey, inventor/compositor francês, pioneiro dos sintetizadores e samplers, morto aos 87, de câncer de pulmão, no início deste mês. Dois discos para ouvir por esses dias: The in sound from The Way Out, de 1966, e Kaleidoscopic vibrations: electronic pop music from Way Out, de 1967. E já que estou falando de gente morta, no início desta semana, foi-se o jazz sage Mose Allison, pianista norte-americano altamente influente na cena inglesa dos anos 1960.

 

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