Na canhota · Rock

[Na canhota] Manifest der kommunistischen krautrock!

Quem enfiou o caminhão na lama? VOCÊ!

Quem é que se suja com isso? EU!

Canção retirada do álbum Rockoper Profitgeier (1971), “Die luft gehört denen sie atmen” (algo como “O ar pertence a quem o respira”) representa bem o despontar do rock alemão no final dos anos 1960/início dos anos 1970: articulação, experimentalismo e pretensões intelectuais. No caso específico, o Floh de Cologne, assim como tantos outros combos, era, declaradamente, um grupo de esquerda.

A banda, formada, em 1966, por estudantes da Universidade de Colônia, lançou dez discos entre 1968 e 1978. A escalação “clássica” contava com Markus Schmidt, no baixo; “Hansi” Frank, na bateria; Gerd Wollschon, nos teclados; e Britta Baltruschat, na voz. Além do belo Rockoper Profitgeier, também são particularmente interessantes os álbuns Vietnam (1968), Mumien (1973) e Dieser chilenische Sommer war heiß (1974). Individualmente, os integrantes do conjunto eram membros da SDAJ – Sozialistischen Deutschen Arbeiterjungend e o Floh de Cologne sempre fez questão de deixar claro sua filiação ao marxismo-leninismo, bem como seu apoio à Alemanha Oriental. Essas posições sempre motivaram críticas contra o evidente panfletarismo da banda e, no fim das contas, a apreciação da música usualmente ficava relegada a um segundo plano. O próprio Floh, assevere-se, nunca fez muita força para resolver esse problema.

De certo modo, o combo acreditava que o rock era apenas um instrumento na luta de classes. A ideia-mestra era “chocar a burguesia” e, para tanto, o Floh de Cologne não se restringiu ao aspecto sonoro: a imagem (ou ausência de preocupações com modismos) era muito importante, taticamente. O vídeo acima mostra um pouco da característica semi-teatral do grupo; há, em sua proposta, um aspecto “brechtiniano”. Como bem nota Timothy Scott Brown, “Floh de Cologne were definitely (…) avant-garde (…), owing in part to their continued adherence to the forms os cabaret (even as they distanced themselves from cabaret’s more conservative conventions), in part to their greater reliance on cultural provocation and schock tactics” (West Germany and the Global Sixties: The Anti-Authoritarian Revolt, 1962–1978, Cambridge (EUA): Cambridge-USA, 2013, p. 189). A ausência da guitarra também é uma provocação – especialmente se se considerar que os discos do Floh estavam especialmente inseridos no contexto do rock progressivo setentista.

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