Rasteiras · Rock

That’s entertainment

Entre fraldas e pilhas de provas para correção, ando entretido com leituras rápidas (mas, de fato, deliciosas). Um pequeno trecho exemplificativo, escrito por Alex Ross (em The rest is noise – Beethoven was wrong: bop, rock and the minimalists. Londres/Reino Unido: Fourth State, 2013, posição 31 na edição para Kindle):

“Paul McCartney had been checking out Stockhausen’s Gesang der Jünglinge, with its electronic layering of voices, and Kontakte, with its swirling tape-loop patterns. At his request, engineers at Abbey Road Studios inserted similar effects into the song ‘Tomorrow Never Knows’. By way of thanks, the Beatles put Stockhausen’s face on the cover of Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, in and among cutout pictures of other mavericks and countercultural heroes. The following year, for the White Album, John Lennon and Yoko Ono created the tape collage ‘Revolution 9’, where, for a split second, the final chords of Sibelius’s Seventh Symphony can be heard. Adventurous rock bands on the West Coast also paid heed to the classical avant-garde. Members of both the Grateful Dead and Jefferson Airplane attended Stockhausen’s lectures in Los Angeles in 1966 and 1967, while the maverick rock star Frank Zappa spoke of his teenage love for the music of Edgard Varèse, whom he once looked up in the phone book and called out of the blue. Even the most jaded veteran of twentieth-century musical upheaval must have been startled to find that the postwar avant-garde was now serving as mood music for the psychedelic generation. The wall separating classical music from neighboring genres appeared ready to crumble, as it had momentarily in the twenties and thirties, when Copland, Gershwin, and Ellington crossed paths at Carnegie Hall. Classical record labels made amusing attempts to capitalize on the phenomenon by marketing abstruse modern repertory to kids on LSD.”

De Pequena história da música, de Mário de Andrade (São Paulo: Nova Fronteira, 2015, posição 2820 da edição para Kindle), um outro apontamento:

“Também uma das importantes descobertas musicais da atualidade, o aparelho eletromagnético inventado pelo russo Theremin, parece profetizar a música como simples movimento sonoro. Esse ‘instrumento de Ondas Etéreas’, cujos sons, em portamento constante (pelo menos por enquanto), são obtidos por movimentos da mão se aproximando ou se afastando dele, parece ter um futuro enorme, pois pode dar timbres variados, todas as intensidades e todas as gradações sonoras existentes dentro do intervalo de semitom. (…) Hoje o instrumento de ‘ondas musicais’, na solução que lhe deu Maurício Martenot, já está bastante difundido, e para ele Milhaud escreveu diretamente uma ‘suíte’. Era de esperar mesmo que em nossa época surgissem invenções importantes no domínio instrumental… Porque a ideia musical mais aparentemente nova da atualidade parece ser a música de timbre. (…) Atualmente a intenção de criar uma música feita de timbres é manifesta e mesmo expressa claramente por artistas e críticos. A bateria se desenvolveu muito nas orquestras. (…) A influência do jazz-band foi vasta no campo dos instrumentos melódicos. O jazz, invenção dos negros e judeus ianques, influenciou poderosamente a criação contemporânea. Na América do Norte, Eastwood Lane, Gershwin, Burlingame Hill, Luiz Gruenberg, Carpenter, Aaron Copland, Piston o desenvolvem artisticamente. Na própria Europa o jazz influenciou muito os compositores. Maurício Ravel o aplicou em peças de caráter americano. Kreneck produziu uma ópera-jazz que causou impressão bulhenta nos países germânicos, a ‘Jonny spielt auf’. Stravinski (‘Rag-Time’, ‘Piano Rag Music’), Wiener, o italiano De Sabatta, Hindemith, Lord Berners, Villa-Lobos, sofreram o influxo continuado ou apenas esporádico dele. Na Alemanha o estudo do jazz faz parte de conservatórios. A lição do jazz, isto é, a eficiência expressiva dos instrumentos de sopro; a influência da radiofonia, salientando o valor dos instrumentos de sopro; a fraqueza do preconceito orquestral clássico, baseado no quarteto de cordas; a riqueza de efeito dos instrumentos polifônicos de percussão (piano, celesta, balafon, xilofone) na orquestra: vieram corroborar as pesquisas de Debussy, com as sonatas da última fase dele. (…) Na Alemanha se desenvolveram muito a ‘Kammersinfonie’ (Sinfonia de câmara), nome empregado primeiramente por Schoenberg, e a ‘Kammermusik'(Música de câmara), orquestra de pequenos agrupamentos instrumentais virtuosísticos.”

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