Discoteca Biográfica

[Discoteca Biográfica] The early years

The Early Years (Wop Bop, 1989)

Artista: Violeta de Outono

Selo/Ano: Wop Bop, 1988

Produção: Violeta de Outono

Notas pessoais: estava no (antigo) colegial (atual “ensino médio”), espinhas no rosto. Momento ridículo: participar da montagem de “Botequim”, do Guarnieri. Havia criado minha primeira banda, o Esses Caras, e feito a estreia no palco (os irmãos Vecchiato devem ter o vídeo da apresentação). Começava a me interessar por literatura. À época, acho que ouvia The iron man (Pete Townshend, 1989), Psicoacústica (Ira!, 1988), Amigos invisíveis (Edgard Scandurra, 1989), Live at the Harlem Square Club 1963 (Sam Cooke, 1985), Steel Wheels (Rolling Stones, 1989), The song remains the same (Led Zeppelin, 1976).

*

Naqueles dias, no mercado fonográfico brasileiro, era tudo ou nada: não havia lançamento comercial de single, EP ou picture; uma fita dessas era, até então, impensável. Ou você punha na praça um disco inteiro – no mais das vezes, uma faixa razoável cercada por enchimentos indignos de qualquer nota – ou não gravava nada. “Culpa da inflação”, diziam as grandes companhias, vitaminadas pelo “Disco é cultura”. Só mesmo a independência miserável da boa vontade da Wop Bop e o apoio vital da revista Bizz poderiam permitir que um lançamento desses acontecesse por essas bandas. Claro, em termos estruturais, todo esse esforço resultou em nada. Mas, para uns caras perdidos, foi objeto de culto e prazer.

Não é, por certo, o melhor do Violeta de Outono. O que me atraiu, mais que a curiosidade em relação ao repertório – covers de “Citadel”, dos Stones; “Interstellar Overdrive”, do Pink Floyd; “Blues for Findlay”, do Gong; e “Within You Without You”, dos Beatles -, era o formato: uma fita cassete “oficial”, com arte cuidadosamente pensada e produção bem feita. O registro sonoro me chamava a atenção, particularmente, porque passava longe da limpeza típica do som de estúdio, mas, ao mesmo tempo, era plenamente audível. Sobre esse aspecto, lembro de comentários de amigos que torciam o nariz para os chiados e cliques, ou do excesso de graves e falta de médios. Para mim, tudo isso era meio abstrato demais, porque, de algum modo, eu entendia que a qualidade do áudio era parte do projeto: de repente, notei que a feiura não era um dado natural.

A experiência, contudo, encarregou-se de mostrar, rápida e dolorosamente demais, que (as) adolescentes não aceitam essa proposição e – especialmente – suas consequências com a mesma facilidade com que certos jovens desesperados a elas atrelam suas expectativas onanistas.

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