Blablablá

Nova estação

Flat, deitados na cama imensa. Foi há muito, muito tempo. Era o fim do inverno.

“Você me ama?”, perguntei, assim, do nada, sem sequer desgrudar os olhos da tela: Brian Wilson explicava que ele e Tony Asher tinham sido os primeiros a usarem a palavra “deus” em uma canção pop.

Ela tirou a cabeça do travesseiro e me olhou surpresa. “Como assim?”, retrucou-me, como que querendo ganhar tempo para assimilar a questão.

Mutei a TV e apoiei a cabeça sobre meu braço; fitei-a brevemente. “O que quero saber é bastante simples: você me ama?”, insisti. De certa maneira, eu sabia que era amado, mas, naquele momento, queria ouvi-la expressar, em voz alta e com toda a clareza, que ela positivamente me amava.

“Tenho a impressão que sim”, respondeu-me. Aconchegou-se em mim, apoiando a cabeça em meu ombro, e fechou os olhos.

“Impressão?”, surpreendi-me: na hora, pareceu pouco.

Ela fez que dormiu. Não me respondeu. Na verdade, não me respondeu até agora.

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