Rock

Sauerkraut

Serei mais rápido que de costume. O que segue são apontamentos para mim mesmo, para que, em algum futuro, lembre-me de me debruçar sobre o tema. Ou, quem sabe, instigar algum cérebro alheio.

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É triste como a Grande Guerra (partes I e II) está esmaecida no imaginário das (poucas) pessoas (que sabem algo sobre ela). E, para falar o português claro, “esmaecida” talvez nem seja o adjetivo correto, já que o que quero dizer é que não há, por aí, noção da dimensão histórica da tragédia (o que indica, ipso facto, que a tragédia é corrente). E não menciono este fato apenas por frustração profissional, mas, também, por razões sentimentais.

O rock é um dos muitos filhos bastardos da Guerra. Como música de massa, é um elemento importante para compreender os cenários anterior e posterior. É claro que, nesses casos, é preciso ter calma, bom senso e algumas ferramentas à mão (e as limitações de um post são até convenientes para uma desculpa, mas, embora necessite tomar vários e enormes atalhos no argumento, quero dizer que não fugiria jamais dessa discussão). Enfim, o rock é uma referência que deve ser considerada, porque permite fermentar, em parte, a discussão sobre as disputas econômicas e políticas que levaram ao extermínio de milhões: especificamente, reporto-me ao “nascimento” do jovem contemporâneo.

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O baby-boomer alemão deve ter passado por poucas e boas. Se o rock britânico, de certo modo, expressava um desejo de “fazer a América”, a música popular jovem germânica manifestava a própria confusão de uma sociedade que tinha de se libertar da dor de uma ferida inflamada – veja, já na década de 1950, os vizinhos de Sachsenhausen juravam de pés juntos que o trabalho não libertava – enquanto outra se abria no coração de Berlim. O schlager era, a meu ver, uma espécie de americanismo empedernido, no sentido de que reproduzia a forma pela qual a cultura era produzida, mas com uma certa vergonha de ter de se “render” pela segunda vez. É nesse sentido que o kraut-rock, na minha modesta opinião, é o anti-rock por excelência.

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A BBC produziu um documentário sobre o tema. Nada maravilhoso, mas, ainda assim, estimulante.

Não haveria pós-punk sem o kraut-rock. Em outras palavras, Johnny Rotten teria prevalecido sobre John Lydon – o epitáfio teria sido destroy! – e a indústria teria tido problemas muito mais graves que a segunda crise mundial do petróleo. E, sendo anti-establishment, o rock germânico legou ao mundo o musikarbeiter. Mas, antes que alguém arfe de esperança, que fique bem claro: esse sujeito não é, de modo algum, o sujeito histórico da cultura popular.

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